Fundador da Anvisa explica a relação entre as vacinas da gripe e da Covid-19

Fundador da Anvisa explica a relação entre as vacinas da gripe e da Covid-19

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A 23ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe começou na última segunda-feira (12) em todo o país. Assim como em 2020, neste ano a vacinação é feita em meio à pandemia da Covid-19. A diferença, porém, é que hoje o Brasil está em plena batalha de imunização contra o novo coronavírus.

O Olhar Digital conversou com Gonzalo Vecina Neto, médico sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), sobre o fato de ambas as campanhas ocorrerem simultaneamente. Vecina é fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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Gonzalo Vecina Neto, médico sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, é fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. / Imagem: Captura de tela site FSP-USP

Vale ressaltar que, de acordo com o Ministério da Saúde, não há evidência de falta de segurança na vacinação contra a gripe de indivíduos que já tenham sido contaminados pelo novo coronavírus ou que tenham anticorpos ainda detectáveis contra a Covid-19. “Se você já se curou da Covid-19, pode se imunizar tranquilamente. É improvável que a vacinação de indivíduos infectados (em período de incubação) ou assintomáticos tenha um efeito prejudicial”, destaca o ministério.

Vecina concorda com o informe técnico da pasta, mas alerta os pacientes que ainda estão infectados. “Se ainda estiver contaminada, a pessoa não deve tomar a vacina da gripe. Se ela não sabe que está doente, não tem jeito, mas, se sabe, o aconselhável é deixar a doença seguir seu curso até a recuperação total, para, só depois, tomar a vacina [da gripe].” O recomendável é aguardar pelo menos quatro semanas após o início dos sintomas ou, no caso de assintomáticos, quatro semanas a partir do primeiro resultado de teste RT-PCR positivo.

Existem contraindicações para a vacina da gripe?

Crianças menores de seis meses não podem tomar a vacina da gripe. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), além dessa faixa etária ser naturalmente mais frágil, o desenvolvimento de seu sistema imunológico ainda está muito no início.

Para o restante da população, a SBIm recomenda que quem estiver com alguma infecção que cause febre, por mais leve que seja, deve esperar que o sintoma passe antes de receber a injeção contra a gripe. Dessa forma, uma eventual febre baixa ocasionada pela vacina não será confundida com sinais da doença.

Vecina lembra que, de forma geral, todos os imunizantes requerem cuidados. “Então, quem está em tratamento de câncer, por exemplo, ou tenha qualquer doença que possa causar imunodepressão, deve conversar com seu médico antes de ser imunizado”, orienta.

O médico ressalta que alérgicos devem ficar atentos sempre que forem tomar vacinas. De acordo com ele, uma hipersensibilidade comum em relação ao imunizante da gripe é a alergia ao ovo. “Como o vírus dessa fórmula é atenuado em ovo, pessoas que têm alergia a esse alimento não devem tomar a vacina da gripe. Se optarem por tomar, devem fazê-lo em um lugar com condições de prestar atendimento imediato em caso de choque anafilático”, recomenda.

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

O choque anafilático é uma reação alérgica muito forte em que pode haver constrição da traqueia e impedimento da respiração. “Pacientes que possam ter esse tipo de reação devem estar em um local que ofereça condições de se fazer uma intubação, por exemplo”, alerta o professor. Outras reações alérgicas menos agressivas incluem dor muscular intensa, vermelhidão no local da aplicação e inflamação.

A vacina contra a Covid-19 com maior percentual de aplicações no Brasil é a CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac e produzida no país pelo Instituto Butantan. Ela usa a mesma tecnologia da vacina da gripe, ou seja, a de vírus inativado. O outro imunizante em uso por aqui é a Covishield, criada pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, que usa a técnica de vetor viral.

Vecina lembra que as vacinas contra a Covid-19 disponíveis no Brasil raramente provocam choque anafilático. “Essas fórmulas não têm registro de episódios alérgicos graves. A vacina da Pfizer, por outro lado, teve eventos de reações alérgicas mais duros”. Embora já tenha registro definitivo no Brasil, o imunizante da Pfizer ainda não está em uso por aqui.

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As vacinas podem ser tomadas juntas?

Como ainda não há estudos de coadministração dos dois imunizantes, não se recomenda a aplicação simultânea. “Até havia uma discussão se elas poderiam ser administradas conjuntamente. Resolveram, por fim, que é melhor dar uma distância de 15 dias entre as doses, seja de qual vacina for”, explica o professor.

Segundo o Ministério da Saúde, esse intervalo é necessário para que não haja confusão entre os sintomas da Covid-19 e possíveis reações às vacinas, bem como para proteger os profissionais que aplicam e outras pessoas que estejam recebendo as doses.

Para os indivíduos que forem contemplados em ambas as campanhas ao mesmo tempo, o ex-presidente da Anvisa indica tomar a vacina da Covid-19 antes da vacina da gripe. “Primeiro, porque a doença mais grave é a Covid-19. Além disso, esse imunizante é mais escasso”, explica. A vacina da gripe deve ser recebida pelo menos duas semanas depois que o paciente tomar a segunda dose contra o novo coronavírus.

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